Grandes empresas brasileiras avançam no mercado mundial
As empresas brasileiras estão ocupadas com a aquisição de rivais estrangeiras, mas os altos custos dos empréstimos locais manterão a tendência limitada a um seleto clube de gigantes corporativas, afirmam analistas e executivos.
Nos últimos anos, muitas das grandes companhias brasileiras expandiram suas atuações mundialmente, comprando ativos em territórios estrangeiros que há uma década pareciam fora do alcance para muitas empresas do país, tradicionalmente voltado para o mercado interno.
"A indústria brasileira está dando um show no mundo", disse o vice-presidente de finanças do Grupo Odebrecht, Alvaro Novis. "E isso deverá continuar", acrescentou Novia, um dos diversos líderes de negócios e economistas que discursaram durante conferência no Rio de Janeiro, na quarta e quinta-feira.
A orientação para iniciar as compras nos mercados estrangeiros está sendo liderada por empresas de peso, como a estatal Petrobras e siderúrgicas como a Gerdau e a Companhia Siderúrgica Nacional .
Para algumas dessas empresa, a expansão para fora do país é crucial para que continuem crescendo, já que elas possuem posições dominantes no mercado doméstico. Para outras, o foco no exterior, é uma maneira de aumentar as receitas em dólar enquanto lidam com barreiras comerciais, como tarifas e cotas de importação.
E para todas essas companhias, a mudança para mercados estrangeiros --especialmente para a América do Norte e Europa-- representa acesso a crédito barato, escasso no Brasil, onde as taxas de juro estão entre as mais caras do mundo. A taxa básica da economia no país, a Selic, é de 19,75 por cento ao ano atualmente.
"O custo do capital no Brasil é proibitivo", disse o presidente da unidade brasileira do BNP Paribas, Bernard Mencier. "As companhias estão se internacionalizando porque podem conseguir financiamentos nos mercados estrangeiros."
A necessidade de crédito acessível foi citada no ano passado pelo Grupo Votorantim, o maior conglomerado industrial do Brasil, quando comprou da mexicana Cemex duas fábricas de cimento localizadas nos Estados Unidos.
A aquisição foi a última de uma série de compras da unidade de cimentos da Votorantim, que quer dobrar suas operações fora do Brasil até 2007.
Uma das primeiras empresas brasileiras a voltar sua atenção para os mercados estrangeiros foi o Grupo Gerdau, uma siderúrgica de controle familiar criada em 1901 como fabricante de pregos. Hoje, a Gerdau é a maior produtora brasileira de aços longos e possui unidades na Argentina, no Chile e no Uruguai.
Graças às aquisições, a Gerdau também é dona de 14 siderúrgicas no Canadá e Estados Unidos, o que a torna também a quarta maior produtora de aço da América do Norte.
Outra gigante que não esconde seu desejo de adquirir ativos estrangeiros é a Companhia Vale do Rio Doce .
Atualmente a maior produtora e exportadora de minério de ferro do mundo, ingrediente fundamental na fabricação do aço, a Vale tem procurado diversificar suas atividades em minérios como cobre e níquel.
No ano passado, a empresa manteve negociações para a compra da companhia canadense de mineração Falconbridge, então conhecida como Noranda, mas as conversas não foram bem sucedidas. E, recentemente, a Vale estava ocupada negando reportagens que afirmavam que a companhia estava negociando a compra do grupo francês de metais e mineração Eramet .
A Vale, no entanto, possui uma vantagem que falta a outras companhias brasileiras. Ela não precisa mais de ativos em economias desenvolvidas para ganhar acesso a crédito barato.
Em julho, a agência de classificação de risco Moody's elevou a classificação da Vale ao status de "investment grade", nível de risco recomendável a investimento pela agência, permitindo que a empresa obtenha empréstimos com taxas reduzidas.
Embora economistas concordem que as taxas de juro no Brasil tendem a cair no longo prazo, tornando mais fácil para as pequenas empresas avançarem no mercado internacional, há pouco consenso sobre quando isso deve ocorrer. Porém, com a economia se mostrando firme frente ao atual escândalo político, alguns analistas apostam que as taxas possam cair antes do que o imaginado.
"Estamos vivendo uma grande crise política que não está afetando a economia", disse o vice-presidente de finanças da Petrobras, Almir Barbassa. "Isto pode ter impacto positivo na avaliação de risco do Brasil e ajudar a reduzir o custo do crédito por aqui."
Enquanto isso, o governo tenta preencher essa lacuna. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recentemente criou linha de crédito especial para financiar investimentos diretos no exterior feitos por companhias brasileiras.
Uma das primeiras empresas a aproveitar a nova linha de crédito será a Friboi, maior processadora de carne bovina do Brasil.
Esta semana a Friboi anunciou que estava prestes a fechar acordo para comprar a Swift Armour, maior produtora e exportadora de carne bovina da Argentina. Embora o preço final ainda tenha que ser revelado, o BNDES afirmou que emprestará 80 milhões de dólares para a Friboi para ajudá-la a bancar a aquisição.
O acordo é o mais recente de uma série de compras brasileiras em solo argentino. Nos últimos anos, companhias como a Petrobras, a cervejaria AmBev e o grupo de construção Camargo Corrêa abocanharam rivais na Argentina.
Yahoo! News
Nos últimos anos, muitas das grandes companhias brasileiras expandiram suas atuações mundialmente, comprando ativos em territórios estrangeiros que há uma década pareciam fora do alcance para muitas empresas do país, tradicionalmente voltado para o mercado interno.
"A indústria brasileira está dando um show no mundo", disse o vice-presidente de finanças do Grupo Odebrecht, Alvaro Novis. "E isso deverá continuar", acrescentou Novia, um dos diversos líderes de negócios e economistas que discursaram durante conferência no Rio de Janeiro, na quarta e quinta-feira.
A orientação para iniciar as compras nos mercados estrangeiros está sendo liderada por empresas de peso, como a estatal Petrobras e siderúrgicas como a Gerdau e a Companhia Siderúrgica Nacional .
Para algumas dessas empresa, a expansão para fora do país é crucial para que continuem crescendo, já que elas possuem posições dominantes no mercado doméstico. Para outras, o foco no exterior, é uma maneira de aumentar as receitas em dólar enquanto lidam com barreiras comerciais, como tarifas e cotas de importação.
E para todas essas companhias, a mudança para mercados estrangeiros --especialmente para a América do Norte e Europa-- representa acesso a crédito barato, escasso no Brasil, onde as taxas de juro estão entre as mais caras do mundo. A taxa básica da economia no país, a Selic, é de 19,75 por cento ao ano atualmente.
"O custo do capital no Brasil é proibitivo", disse o presidente da unidade brasileira do BNP Paribas, Bernard Mencier. "As companhias estão se internacionalizando porque podem conseguir financiamentos nos mercados estrangeiros."
A necessidade de crédito acessível foi citada no ano passado pelo Grupo Votorantim, o maior conglomerado industrial do Brasil, quando comprou da mexicana Cemex duas fábricas de cimento localizadas nos Estados Unidos.
A aquisição foi a última de uma série de compras da unidade de cimentos da Votorantim, que quer dobrar suas operações fora do Brasil até 2007.
Uma das primeiras empresas brasileiras a voltar sua atenção para os mercados estrangeiros foi o Grupo Gerdau, uma siderúrgica de controle familiar criada em 1901 como fabricante de pregos. Hoje, a Gerdau é a maior produtora brasileira de aços longos e possui unidades na Argentina, no Chile e no Uruguai.
Graças às aquisições, a Gerdau também é dona de 14 siderúrgicas no Canadá e Estados Unidos, o que a torna também a quarta maior produtora de aço da América do Norte.
Outra gigante que não esconde seu desejo de adquirir ativos estrangeiros é a Companhia Vale do Rio Doce .
Atualmente a maior produtora e exportadora de minério de ferro do mundo, ingrediente fundamental na fabricação do aço, a Vale tem procurado diversificar suas atividades em minérios como cobre e níquel.
No ano passado, a empresa manteve negociações para a compra da companhia canadense de mineração Falconbridge, então conhecida como Noranda, mas as conversas não foram bem sucedidas. E, recentemente, a Vale estava ocupada negando reportagens que afirmavam que a companhia estava negociando a compra do grupo francês de metais e mineração Eramet .
A Vale, no entanto, possui uma vantagem que falta a outras companhias brasileiras. Ela não precisa mais de ativos em economias desenvolvidas para ganhar acesso a crédito barato.
Em julho, a agência de classificação de risco Moody's elevou a classificação da Vale ao status de "investment grade", nível de risco recomendável a investimento pela agência, permitindo que a empresa obtenha empréstimos com taxas reduzidas.
Embora economistas concordem que as taxas de juro no Brasil tendem a cair no longo prazo, tornando mais fácil para as pequenas empresas avançarem no mercado internacional, há pouco consenso sobre quando isso deve ocorrer. Porém, com a economia se mostrando firme frente ao atual escândalo político, alguns analistas apostam que as taxas possam cair antes do que o imaginado.
"Estamos vivendo uma grande crise política que não está afetando a economia", disse o vice-presidente de finanças da Petrobras, Almir Barbassa. "Isto pode ter impacto positivo na avaliação de risco do Brasil e ajudar a reduzir o custo do crédito por aqui."
Enquanto isso, o governo tenta preencher essa lacuna. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recentemente criou linha de crédito especial para financiar investimentos diretos no exterior feitos por companhias brasileiras.
Uma das primeiras empresas a aproveitar a nova linha de crédito será a Friboi, maior processadora de carne bovina do Brasil.
Esta semana a Friboi anunciou que estava prestes a fechar acordo para comprar a Swift Armour, maior produtora e exportadora de carne bovina da Argentina. Embora o preço final ainda tenha que ser revelado, o BNDES afirmou que emprestará 80 milhões de dólares para a Friboi para ajudá-la a bancar a aquisição.
O acordo é o mais recente de uma série de compras brasileiras em solo argentino. Nos últimos anos, companhias como a Petrobras, a cervejaria AmBev e o grupo de construção Camargo Corrêa abocanharam rivais na Argentina.
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