Marcha para o interior
Petróleo e agricultura impulsionam negócios em pequenos municípios e reduzem a participação das áreas metropolitanas
As cidades do interior atingiram o mesmo peso que as regiões metropolitanas no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB). Foi a primeira vez que isso acorreu, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2003. Elas respondiam por 46% das riquezas do país em 1999. Quatro anos depois essa fatia alcançou 50%. Os técnicos dividem a participação no PIB em interior, capitais e regiões metropolitanas.
O principal motivo dessa marcha para o interior é a guerra fiscal entre municípios, sendo o destino dos investimentos orientado também pelo crescimento de segmentos importantes na economia, como energia e agropecuária. “Influíram incentivos fiscais e a expansão além das capitais. E o potencial de cada estado determinou o tipo de mudança”, explica Raquel Gomes, do Departamento de Contas Nacionais do IBGE.
Enquanto o interior ampliou a participação no resultado do PIB nacional, as capitais perderam força. Em 1999, elas representavam 32% das riquezas geradas no país, mas em 2003 a importância no PIB nacional caiu para 28%. A guerra fiscal afetou até mesmo a relação entre capital e região metropolitana. Em Minas, por exemplo, Belo Horizonte representou 14,9% do PIB estadual em 2003. Mas sua participação era de 15,4% em 1999. Nesse mesmo período, a participação das riquezas geradas pela Grande BH subiu de 18,4% para 19,7%. As cidades do interior, por sua vez, ampliaram espaço de 66,2% para 65,3%.
As cidades que tiveram maior ganho percentual no ranking nacional foram as fluminenses Duque de Caxias, Campos dos Goytacazes e Macaé, seguidas de Paulínia (SP) e Camaçari (BA), além de Manaus. Esse avanço ocorreu devido às expansões da indústria de extração e refino de petróleo.
Apesar da melhora das economias dos pequenos municípios do país, o IBGE mostra que a concentração de renda manteve-se alta. Dez cidades produziram 25% da renda do país em 2003. As cidades com maior concentram renda são as capitais São Paulo, Rio, Brasília, Manaus, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. Na contramão, os municípios que contribuíram menos na produção da riqueza nacional estão nas regiões Norte e Nordeste. Tocantins e Piauí são os estados com os municípios mais pobres.
O IBGE pesquisou ainda quais eram os 30 municípios mais pobres de cada região brasileira. No Norte do país, todos estavam localizados no Tocantins. No Nordeste houve equilíbrio entre Piauí e Paraíba, com pequena participação do Rio Grande do Norte. Na Região Sudeste, a mais rica, as 30 cidades mais pobres estavam todas em Minas Gerais. No Sul e Centro-Oeste, o equilíbrio foi mantidos entre os estados, com exceção do Mato Grosso do Sul, que não aparece com nenhuma cidade entre as piores. Levantamento feito pela Fundação João Pinheiro, entre os 200 municípios mais ricos do Brasil, mostrou que Minas elevou, entre 1999 e 2003, sua participação de 15 para 16.
Na briga entre as capitais pela liderança em geração de riquezas, Belo Horizonte manteve a posição conquistada em 2001: a quinta. Em 1999, a capital mineira ocupava a quarta colocação, mas perdeu o lugar para Manaus. As demais cidades ricas não tiveram alterações na lista. (RA)
Os maiores do país
Em PIB per capita (em R$)
São Francisco do Conde (BA) - 282,4 mil
Triunfo (RS) - 213 mil
Quissamã (RJ) - 201 mil
Paulínia (SP) - 174,3 mil
Carapebus (RJ) - 151,6 mil
Rio das Ostras (RJ) - 141,6 mil
Porto Real (RJ) - 141,2 mil
Armação dos Búzios (RJ) - 105,8 mil
Cascalho Rico (MG) - 101,2 mil
Macaé (RJ) - 95,6 mil
Capitais com maior PIB total (em R$)
São Paulo - 146,8 bilhões
Rio de Janeiro - 67,6 bilhões
Brasília - 37,7 bilhões
Manaus - 23,3 bilhões
Belo Horizonte - 21,6 bilhões
Campos dos Goytacazes - 16,8 bilhões
Guarulhos - 16 bilhões
Curitiba - 15,4 bilhões
Duque de Caxias - 15,4 bilhões
Porto Alegre - 14,7 bilhões
Dados: IBGE
Fonte: Superavit
Autor: Rafael Alves
As cidades do interior atingiram o mesmo peso que as regiões metropolitanas no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB). Foi a primeira vez que isso acorreu, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2003. Elas respondiam por 46% das riquezas do país em 1999. Quatro anos depois essa fatia alcançou 50%. Os técnicos dividem a participação no PIB em interior, capitais e regiões metropolitanas.O principal motivo dessa marcha para o interior é a guerra fiscal entre municípios, sendo o destino dos investimentos orientado também pelo crescimento de segmentos importantes na economia, como energia e agropecuária. “Influíram incentivos fiscais e a expansão além das capitais. E o potencial de cada estado determinou o tipo de mudança”, explica Raquel Gomes, do Departamento de Contas Nacionais do IBGE.
Enquanto o interior ampliou a participação no resultado do PIB nacional, as capitais perderam força. Em 1999, elas representavam 32% das riquezas geradas no país, mas em 2003 a importância no PIB nacional caiu para 28%. A guerra fiscal afetou até mesmo a relação entre capital e região metropolitana. Em Minas, por exemplo, Belo Horizonte representou 14,9% do PIB estadual em 2003. Mas sua participação era de 15,4% em 1999. Nesse mesmo período, a participação das riquezas geradas pela Grande BH subiu de 18,4% para 19,7%. As cidades do interior, por sua vez, ampliaram espaço de 66,2% para 65,3%.
As cidades que tiveram maior ganho percentual no ranking nacional foram as fluminenses Duque de Caxias, Campos dos Goytacazes e Macaé, seguidas de Paulínia (SP) e Camaçari (BA), além de Manaus. Esse avanço ocorreu devido às expansões da indústria de extração e refino de petróleo.
Apesar da melhora das economias dos pequenos municípios do país, o IBGE mostra que a concentração de renda manteve-se alta. Dez cidades produziram 25% da renda do país em 2003. As cidades com maior concentram renda são as capitais São Paulo, Rio, Brasília, Manaus, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. Na contramão, os municípios que contribuíram menos na produção da riqueza nacional estão nas regiões Norte e Nordeste. Tocantins e Piauí são os estados com os municípios mais pobres.
O IBGE pesquisou ainda quais eram os 30 municípios mais pobres de cada região brasileira. No Norte do país, todos estavam localizados no Tocantins. No Nordeste houve equilíbrio entre Piauí e Paraíba, com pequena participação do Rio Grande do Norte. Na Região Sudeste, a mais rica, as 30 cidades mais pobres estavam todas em Minas Gerais. No Sul e Centro-Oeste, o equilíbrio foi mantidos entre os estados, com exceção do Mato Grosso do Sul, que não aparece com nenhuma cidade entre as piores. Levantamento feito pela Fundação João Pinheiro, entre os 200 municípios mais ricos do Brasil, mostrou que Minas elevou, entre 1999 e 2003, sua participação de 15 para 16.
Na briga entre as capitais pela liderança em geração de riquezas, Belo Horizonte manteve a posição conquistada em 2001: a quinta. Em 1999, a capital mineira ocupava a quarta colocação, mas perdeu o lugar para Manaus. As demais cidades ricas não tiveram alterações na lista. (RA)
Os maiores do país
Em PIB per capita (em R$)
São Francisco do Conde (BA) - 282,4 mil
Triunfo (RS) - 213 mil
Quissamã (RJ) - 201 mil
Paulínia (SP) - 174,3 mil
Carapebus (RJ) - 151,6 mil
Rio das Ostras (RJ) - 141,6 mil
Porto Real (RJ) - 141,2 mil
Armação dos Búzios (RJ) - 105,8 mil
Cascalho Rico (MG) - 101,2 mil
Macaé (RJ) - 95,6 mil
Capitais com maior PIB total (em R$)
São Paulo - 146,8 bilhões
Rio de Janeiro - 67,6 bilhões
Brasília - 37,7 bilhões
Manaus - 23,3 bilhões
Belo Horizonte - 21,6 bilhões
Campos dos Goytacazes - 16,8 bilhões
Guarulhos - 16 bilhões
Curitiba - 15,4 bilhões
Duque de Caxias - 15,4 bilhões
Porto Alegre - 14,7 bilhões
Dados: IBGE
Fonte: Superavit
Autor: Rafael Alves


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